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Arquivo para (POLIS) Cultura & Política

De livros e sua falta de leitura

AufzeichnenIvan Lessa
Colunista da BBC Brasil

“Era uma manhã clara e fria de abril e os relógios soavam 13 horas".

Soavam, e não marcavam.

Alguém na distinta platéia reconhece este início de romance tido como um clássico moderno? Alguém no Reino Unido? Não. Pouquíssima gente.

Trata-se da primeira frase do romance 1984, de George Orwell. Isso. Aquele do "Big Brother". Todo mundo fala do livro, quase ninguém leu. Basta pensar nessa tolice inominável televisiva que varre o mundo: a casa do Big Brother.

Quem bolou foi um holandês. Dada a nacionalidade, daria para entender a falta de intimidade com o livro. O Big Brother de Orwell, afinal, é o representante de uma sociedade totalitária onde todos os cidadãos são observados 24 horas por dia. Para conferir que não estejam fazendo besteira. Caso estejam, prisão e tortura, para eles. Tortura ainda que psicológica. Pura "ditabranda", como está sendo dito por aí. Hoje em dia, Big Brother é adotado em "n" países e passou a ser conhecido por suas iniciais: BB5, BB9 e assim por diante.

Não era bem o que Orwell tinha em mente.

Quinta-feira, 5 de março, comemorou-se aqui no Reino Unido o que chamaram de "Dia Mundial do Livro". Os relógios também soaram 13 horas. Uma pesquisa foi encomendada com o objetivo de se saber quem lê e quanto lê. Mas lê mesmo. Afinal de contas, os britânicos, com seus mais de 200 mil títulos novos de livros publicados todos os anos, são tidos como um dos povos que mais lê no mundo. Duro acompanhar esse montão.

O questionário deixou claro que tem gente mentindo para valer. O que é um fenômeno mundial. Vamos dar uma espiada no que foi encontrado.

Perguntados se já haviam se gabado de terem lido um livro quando na verdade não tinham, 65% disseram que sim, que mentiram. Ao menos, com o anonimato garantido de uma pesquisa, não enganaram. 42% admitiram que, apesar de nunca terem sequer aberto o 1984 de Orwell, faltaram com a verdade com o intuito de impressionar alguém.

Na lista das inverdades literárias, segue-se o Guerra e Paz, de Leão Tolstói, com 31% na escala de mendacidade.

33% juraram de pés juntos que nunca passaram perto de uma falsidade livresca: leram tudo que disseram que leram.

Outros livros que se prestaram a uma enganação literária: Madame Bovary, de Flaubert. Os ímpios bateram ponto e bateram feio: a Bíblianão foi lida. Folheada, com boa vontade. Dom Quixote, lá fez sua triste figura. Os chamados populares Thomas Hardy, Dickens e Anthony Trollope? Hum. Sérias dúvidas no ar.

Deixando as hipocrisias para lá: o pessoal lê mesmo são os livros de Harry Potter e do John Grisham. Mais Sophie Kinsella e Jilly Cooper. A primeira, nunca ouvi falar. A segunda, conheço de vista. 99% de mim mesmo não está faltando com a verdade.

Façamos a ponte aérea e partamos para o Brasil, sempre uma viagem agradável. Mesmo tendo apenas umas 3000 livrarias em todo o país, menos do que em Lisboa, com suas 4000, incluindo os alfarrabistas (é sebo, gente), nós não lemos nada. Paulo Coelho, talvez. Jorge Amado, capaz, bem capaz. Os Sertões? Machado de Assis? Graciliano Ramos? Clarice Lispector? Tenho sérias dúvidas. Uns poucos são capazes de citar algumas linhas – sempre as mesmas – de Carlos Drummond e outras de Vinícius, principalmente se tiveram sido musicadas. Paremos por aqui.

Desconfio até mesmo da leitura de Paulo Coelho, que é mais lido na França, na Grã-Bretanha, nos Estados Unidos e nos Emirados Árabes. Nossos quase que 200 milhões de leitores em potencial? Sei não, sei não.

É conhecida a história de que Euclides da Cunha escreveu Os Sertões, e foi logo, tal como hoje em dia, chamado de "gênio da raça". Um ano após sua publicação, se esquecera de que era seu autor. Perguntado se lera Os Sertões, Euclides invariavelmente respondia, "Quê, Quem?".

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Caminho Para Guantanamo (The Road To Guantanamo)

Esse é um filme que precisa ser visto para quem quer entender melhor o mundo actual. Com não muita sensibilidade você verá que o Brasil é retratado nesse filme. Basta lembrarmos de “Tropa de Elite”.

É um filme que mostra como indivíduos podem ser feito reféns de instituições, com respaldo de toda uma sociedade.

(Parabéns para Obama em seus primeiros passos como governante.)

Para mais informações:

Já vai tarde

Querido Sr. Presidente

Querido Sr. Presidente
Venha dar uma volta comigo
Vamos fingir que somos apenas duas pessoas e
Você não é melhor do que eu
Eu gostaria de fazer-lhe algumas perguntas se pudermos conversar honestamente

O que você sente quando vê tantos sem-tetos nas ruas?
Por quem você reza a noite antes de dormir?
O que você sente quando olha no espelho?
Você está orgulhoso?

Como você dorme enquanto o resto de nós chora?
Como você sonha quando uma mãe não tem a chance de dizer adeus?
Como você anda com a sua cabeça erguida?
Você pode pelo menos me olhar nos olhos
E me dizer como?

Querido Sr. Presidente
Você era um garoto sozinho?

Você é um garoto sozinho?
Como você pode dizer
Que nenhuma criança é deixada para trás
Nós não somos bobos e não somos cegos
Eles estão todos sentados em suas celas
Enquanto você abre o caminho para o inferno

Que tipo de pai tiraria os direitos da própria filha?
E que tipo de pai poderia odiar a própria filha se ela fosse gay?
Eu posso só imaginar o que a Primeira-dama tem a dizer
Você veio de um longo caminho de uísque e cocaína

Como você dorme enquanto o resto de nós chora?
Como você sonha quando uma mãe não tem a chance de dizer adeus?
Como você anda com a cabeça erguida?

Você pode pelo menos me olhar nos olhos?
Deixe-me te dizer sobre trabalho duro:
Salário minimo com um bebê a caminho
Deixe-me te dizer sobre trabalho duro:
Reconstruir sua casa depois que as bombas a levaram embora
Deixe-me te dizer sobre trabalho duro:
Construir uma cama com caixas de papelão
Deixe-me te dizer sobre trabalho duro
Trabalho duro
Trabalho duro
Você não sabe nada sobre trabalho duro
Trabalho duro
Trabalho duro
Oh

Como você dorme a noite?
Como você anda com a cabeça erguida?
Querido Sr. Presidente
Você nunca daria uma volta comigo…
Daria?

dear mr. president –

Composição: Pink

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E você, já tomou partido?

Hoje fui convidado para participar de uma manifestação popular em solidariedade a Israel na praça central de nossa cidade.

Respondi educadamente que estava mais inclinado a participar de algo semelhante em prol dos Palestinenses.

Passada a crise, melhor dizendo, os rumores da crise financeira de 2008, 2009 chegou com a guerra em Gaza. É a manchete principal dos jornais!

E evidentemente, um tema quente para Blogueiros como nós.

Ivan Lessa da BBC já sentenciou:

“Acabou aquela história de escrever palavrão nas paredes dos mictórios públicos. Blogueia-se, ao invés.“

Bloguear é uma atividade estranha.

Não consigo me livrar das palavras daquele jornalista. Talvez por isso me contenho tanto em escrever mais.

Transcrevo aqui algumas linhas para me lembrar os limites dessa atividade tão moderna na qual venho tentando adentrar.

“É blog que não acaba mais. E cada blog dá links, ou enlaces, com outros blogs. Nós olhando e eles se reproduzindo a bloguear qual besta de mil costados. Todo mundo tem opinião. E onde todo mundo tem opinião, ninguém tem opinião.

Vaidade, tudo é vaidade. Aqueles tipos estranhos, infelizes e solitários, que escreviam para os jornais e revistas “parabenizando pela reportagem” ou “indignados com a permanência na equipe do colunista Fulano de Tal”, todos têm seu blog. Alguns caprichadíssimos. Os professores de “blogueçaõ” proliferam e faturam alto.

Maravilha. Nunca o mundo foi mais democrático. Se um dos critérios da democracia é todos terem opinião sobre tudo. Ler essa opinião é mais embaixo. Bem mais embaixo.

Blogs e mais blogs. Sobre tudo. Quem é alguém, ou melhor dizendo, quem não é ninguém ou almeja ser alguém, tem seu blog.“

Mas queria escrever sobre a guerra… pois é, respondi a meu interlocutor que se fosse uma manifestação para nos solidarizarmos com os cariocas e tentar amenizar a violência naquela cidade, sim, isso é assunto meu, poderia contar comigo. Mas nessa luta no oriente médio, não, não meto meu dedo nisso não.

Obama: a realização do sonho de Luther King

Barack ObamaA eleição do afro-americano Barack Hussein Obama para a presidiencia dos EUA realiza o sonho de Luther King Jr:”tenho um sonho de que um dia as pessoas seráo julgadas não pela cor de sua pele, mas pela força de seu caráter”. Tudo parece indicar que se iniciou, na política, um tempo pós-racista, pois tanto os eleitores quanto o cadidato não repararam a cor da pele mas a pessoa e suas idéias.

 Esta eleição sinaliza também o fim da era dos fundamentalismos: do mercado, iniciado por  Tatcher e Reagan, responsável pela atual crise econômico-financeira. E do político-religioso que alimentou a concepção imperial e belicosa da política externa dos EUA. Bush e Reagan acreditavam no Armageddon e no destino-manifesto, quer dizer,  na excepcionalidade conferida por Deus aos EUA com a missão de levar a todo o mundo os valores da sociedade americana de cariz capitalista e individualista. Isso era feito por todos os meios, inclusive com conspirações, golpes de estado, articulados pela CIA e guerras “humanitárias”. Essa idéia de missão explica a arrogância dos presidentes, bem expressa numa frase do candidato McCain: “Os EUA são o farol e o líder do mundo. Podemos agir como bem entendemos: afinal somos o único poder da Terra. Os inimigos de ontem e de hoje hão de temer o nosso porrete”.

 Bush criou o terrorismo de estado, constituindo-se no maior perigo para a humanidade. Não há de se admirar que tenha levado a uma ampla desmoralização do pais, inclusive  a um anti-americanismo generalizado no mundo. 

 Essa atitude parece ter sido  superada com Obama. À estratégia da guerra e do intervencionismo, ele opoõe a  do dialogo aberto com todos, até com os talibãs. Enfatizou:”é preciso mais que tudo dialogar; a saída é uma ampla negociação e não apenas ataques aéreos e matança de civis”. Ele está convencido de que os EUA não merecem ganhar a guerra contra o Iraque porque está assentada sobre uma mentira e por isso, é injustificável.

 Mas mais que tudo, ele soube captar o que estava latente na sociedade especialmente nos jovens: a necessidade de mudança. “Change”-mudança foi a grande palavra geradora. Suscitou esperança e auto-estima:”sim nós podemos”. Atirou as atenções para o futuro e para as oportunidades novas que se estão desenhando e não para a continuidade do passado e do presente desolador. Com isso falou para a profundade das pessoas e as mobilizou para dar um salto absolutamente inesperado e novo: eleger um negro, representante de uma tragédia humana que envergonha a história americana, de resto com páginas brilhantes de liberdade, de criatividade, de democracia, de ciência, de técnica e de artes que enobrecem  cultura norte-americana. Obama deixou claro que a real força dos EUA não reside nas armas mas nestes valores morais e no potencial de esperança que vige no povo.

 A eleição de Obama parece possuir algo de providencial, como se fora um gesto da compaixão divina para com a humanidade. Vivemos tempos dramáticos com grandes crises: a ecológica, a climática, a alimentar, a energética e a econômica. O arsenal conceptual e pratico disponível não oferece condições para forjar uma saída libertadora.  Precisamos de uma mudança, de um novo horizonte utópico, de coragem para inventar novos caminhos. Faz-se necessário uma figura carismática que inspire confiança, segurança e serenidade para enfrentar estes cataclismos e galvanizar as pessoas para um novo ensaio de convivência, um modo diferente de arquitetar a economia e de montar um tipo de globalização pluripolar que respeite as diferenças e possa incluir a todos num mesmo destino juntamente com a Casa Comum, a Terra.

 Barack Obama preenche estas exigências de carisma. Se for realmente profunda, a esperança criará seu caminho por entre os escolhos e as ruínas da velha ordem.

tirado da home page de Leonardo Boff

O que o governo Lula tem feito?

De acordo com a FGV o governo Lula tem feito o seu dever de casa e conseguiu diminuir a desigualdade de distribuição de renda no país, nos últimos anos.

What’s up!

E pensar que essa menina(que quer ser menino) é filha de uma brasileira! Por isso tanto talento!

Twenty – five years and my life is still
Trying to get up that great big hill of hope
For a destination
And I realized quickly when I knew I should
That the world was made up of this brotherhood of man
For whatever that means
And so I cry sometimes
When I’m lying in bed
Just to get it all out
What’s in my head
And I am feeling a little peculiar
And so I wake in the morning
And I step outside
And I take a deep breath and I get real high
And I scream at the top of my lungs
What’s going on?
And I say, hey hey hey hey
I said hey, what’s going on?
Ooh, ooh ooh
And I try, oh my god do I try
I try all the time, in this institution
And I pray, oh my god do I pray
I pray every single day
For a revolution
And so I cry sometimes
When I’m lying in bed
Just to get it all out
What’s in my head
And I am feeling a little peculiar
And so I wake in the morning
And I step outside
And I take a deep breath and I get real high
And I scream at the top of my lungs
What’s going on?
And I say, hey hey hey hey
I said hey, what’s going on?
Twenty – five years and my life is still
Trying to get up that great big hill of hope
For a destination