Apotheka Independente

Um estoque livre em busca da cura

Arquivo para novembro, 2008

O que ainda não foi dito sobre a crise

chinaSe você está como eu estou, já quase não suporta mais ouvir essa palavra: crise.

Mas a ausência de uma percepção mais acurada sobre os últimos acontecimentos na economia global me levaram a dizer algo que ninguém ainda disse sobre isso tudo, que talvez por ser tão óbvio foi omitido em todas as análises.

O eixo de poder econômico move-se radicalmente em direção aos BRICs e seus satélites. Essa é a razão principal da falta de liquidez e da bolha que se explodiu.

Segundo as teorias econômicas clássicas, em seus rudimentos mais básicos, veremos que os países emergentes (e outros visinhos) tradicionalmente subdesenvolvidos, deram um grande passo nas últimas décadas em direção ao desenvolvimento e acúmulo de Capital.

Esse capital acumulado e que vem gerando maior renda principalmente nos BRICs e promovendo um crescimento gigantesco no gigane China é o resultado de migração, da transferência de fábricas e bens de capital para tais países.

Essa transferência fez com que os países tradicionalmente desenvolvidos entrassem no mercado de Capital euforicamente pensando que dali, da simples especulação, do trabalho fácil, gerassem suas rendas… suas aposentadorias… suas moradias. Isso não funciona.

Tais sociedades que vivem na abundância, tem ainda muito a transferir para o mundo. Pois a demanda por bens de consumo é ali de fato pequena. As estantes já estão abarrotadas. Na garagem já há dois carros. Se não houver protecionismo e subvenções os preços irão despencar, e a rentabilidade juntamente, pois em contrapartida a capacidade produtiva, com o automatismos é enorme, jogando a oferta na estratosfera.

Ao contrário, no terceiro mundo há pouquíssima oferta e grande demanda. A possibilidade de empresas lucrarem lá é maior. Então que migre o Capital. Ele migrará ainda mais. E os países desenvolvidos chorarão outras bolhas, que explodirão ainda mais vezes nesse processo, pois são feitas de ilusão, ilusão de quem quer reter tudo e não percebe que é dando que se recebe.

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